terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Estadia.

É latente o pensamento que a cada dia somos mais e mais responsáveis pelos nossos próprios caminhos. A decisão sempre cabe a si próprio, e mesmo que clichê, não decidir já é uma escolha, alguém muito sábio já o disse.

O fato, que estar "não estando" em um ambiente, em um corpo ou no outro é uma decisão própria do tempo de cada um, e nessa decisão de não perder- se que se entristece porque tem sentido falta cada vez mais daqueles que não estão.

Tem sido iludida em criar as expectativas ainda que pequenas sobre os momentos a vivenciar, mesmo que tenha aprendido que a vida real não é nem próximo a uma imitação dos filmes de Anne Hathaway, onde mesmo que tudo dê errado, ali se vive bons momentos, e que no final ela sempre sorri porque viveu bem e tudo fez sentido.

É uma decisão, pensa ela. Cada um que nesta vida a rodeia, decide. E decidindo muitas vezes não estão no aqui e agora e nesse barco tão furado, sufocado que ela vive. Percebe que muitos estão ali, mas estando se tele trasportam para o celular com outrem, divididos nas várias janelas que criam uma rede maior do que a sua vida real. Onde você está?

Fica temerosa, porque percebe as pessoas se perdendo em suas aleatoriedades, focando em qualquer assunto banal, abafando os murmúrios baixinhos de alguém que deseja estar e grita que quer estar ali, em ti.

É a decisão de um abraço em uma casa apertada, de uma morada sem segredos, sem gritos, de um acolher sincero, pleno e real com chuva, no sol, com portas escancaradas envolvida nos sentimentos que quer sentir e não negar. Não, mais.

Já negou se muito, pois sempre quis vivenciar cada momento seguro  e oportuno. Tem pensado mesmo é se vale a pena a decisão por quem não decide, ou decide nos momentos de vazão ou exaustão de si.

Afinal, ela nunca quis optar por disponibilidade numa agenda vazia para escutar seu nome, mas pelos momentos de procura em meio a confusão dos dias, das épocas e crises. Não quer fazer parte da geração que por falta de estar troca nudes, e assim sempre vai insistir em trocar gestos, olhares e sentidos.

Entregar muito de si e ser por inteiramente real nesse estar para quem verdadeiramente escolher ficar, porque de fato nunca sofreu em estar sozinha, mas sim quando tem uma multidão que lá no fundo não ocupam autenticamente a estadia de seu coração.

Não há moldes perfeitos para caber, sempre foi uma questão de estar enquanto puder no tempo que se tem, sem filtro, sem 15 s de vídeo, sem smart, com cara boa ou não, Estadia ou Nada.


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