domingo, 24 de maio de 2015

Sobre o tempo, as coisas e um depois.




Há muito tempo tenho a necessidade de escrever, de viver, de criar e ver o que há por ai, sejam em outras terras, em artigos, em um livro ou em novas músicas.

Ando tão sobrecarregada de mim mesmo, que pontualmente me vejo dentro de um elevador sem saber qual numeração apertar, sem saber o que ainda faz sentido e se essa busca infinita de prazos ainda condiz comigo mesma, com meus sonhos matutinos, noturnos, acordadas ou não.

Nesse período, calar o medo tem sido demasiado oportuno e não deixar as lágrimas cair tem sido quase uma missão interpessoal. E ao me encontrar com as pessoas sei que qualquer interrogativa mais sincera de: "Está tudo bem?" pode desapontar uma avalanche de sentimentos até então caladinhos dento do peito, esmagados diariamente por infinitas respirações mais fortes durante os dias.

Sem amenizar os dias que me fizeram chegar ou conquistar o que tenho, e que se prima aqui o fatores essenciais que não se mensuram em valores, como os amigos, amor, conquistas profissionais, conhecimento agregado. 

Mas ainda assim vira e mexe a inquietude que martela o coração. Martela porque se vê constrangido a não ter tempo de simplesmente ler um livro em tranquilidade ou cortar várias caixas para transformar em algo. Martela porque gostaria de ter tempo para ir a praia em uma segunda, a ir a uma palestra fenomenológica que gosta pela tarde no meio da semana. Não pode.

Presa por estas obrigações sociais, que viabilizam claro, o que dentro do capital se diz necessário na Tv, na internet, pelos ricos e pelos pobres, pelo que eu mesmo coloco como prioritário ter, fazer, ou realizar, porque não há formas de trocas sinceras a não ser valoradas. 
Assim, não completa este ser, e essa mente que pensa tanto em coisas bobas que acha fofo fazer, que acha primoroso inventar, ou simplesmente ver e apreciar.

A trilha ainda assim me faz grata, é cheia de ladrilhos, compostos de sorrisos e também algumas tristezas, afinal aqui o todo é pré- requisito para viver e tudo vem sendo feito exatamente com o amor apesar de apesares. 

O que cabe é que certamente a pergunta do depois me elucida várias vezes, e do que exatamente tem ficado pra depois instaura nessa mente cheia de transferências e transposições.  Não quero me deixar para depois, nem o amor que posso vivenciar e vem a ser tão intenso e integral. Este depois que vem se colocado (depois) de visualizar várias fotos de um cotidiano perfeito e ideal que ainda está longe, ou que ainda tenho medo ou não há coragem a percorrer.

Tanto já se arriscou, se colocando a prova de limites, de capacidade, de fluência verbal para colocar todos os sentimentos para fora, para fazer consciente aquilo que não quer sair nas idas e vindas para os locais já tão conhecidos. É uma mente afora, que não esquece muitas coisas mas que tem lapsos de memória quando está nervosa, quando não se encontra mais como e onde está.

Ando muito, e venho percebendo que vezes algumas playlists não te tocam tanto a alma como antigamente, e que se faz necessário se questionar o porquê. Existem duas opções nesta vida, no meu caso, fazer ou deixar para depois. E muitas dessas vezes o depois se fez tanto meu amigo que passou por mim em momentos de pura oportunidade me vedando os olhos pelo comodismo não vi muitas coisas importantes pra mim, e que agora questionando tanto percebo como o agora é importante de realização e plenitude. De realmente estar e ser.

Sem final, me remexo a noite toda pensando nesse próximo dia que me remete tanta urgência de mudanças, de uma corrida em busca do acordar literalmente para os dias. Sem mais arrodeio e clichê, mas o meu hoje de hoje está implorando para realmente estar no agora. 






Um comentário:

  1. Melhor do que mudar propriamente é ter a consciência da necessidade da mudança. Daí pra frente, playlists, elevadores, tudo fará mais sentido, xará.

    ResponderExcluir