sábado, 18 de abril de 2015

Ter é permitir ficar.




E dessas preocupações diárias complicamos roteiros inteiros, nos perdemos nas circunstâncias do que está fora do abraço, e que não tem passo algum dentro dos demais meses... 

Complicamos porque ao ter, não limitamos ou entendemos a linha tênue das possibilidades de perder.
Em muitas vezes nos dias, nos finais de semana, na vida, não pensamos se realmente o que temos é nosso, é próprio.

Ter se confunde com o sempre, e nos faz achar que faz todo sentindo ter sempre, ser sempre, estar sempre. E não faz. Na dificuldade dos dias cheios de chuva não paramos para pensar que algo se molhar demais enfraquece, estraga, adoece. E saber que os dias de sol não são constantes nem em estados com linhas equatoriais. Pois, deve se saber que existem sempre malas prontas para outras estações... E não há porque pensar que algo fique, se a estádia não é completa nesta vida, na sua.

Tantas coisas mudam, as gerações passam, as novas tecnologias vem e vão, levam pessoas e trazem ícones de conversas "em tempo real", e que tempo... onde as conversas se limitam entre a visualização e a correspondência dessa mensagem, se baseia pela hora que fez a leitura, a que momento esteve ali e se esteve. No ter atual, as pessoas não estão dentro do circuito do ter real, mas na manutenção do que não pode ser agora, porque esta vida pede relatórios demais para as segundas, pede agendas e criatividade para salvar os dias de tédio entre uma viagem a outra.

O ter nos confunde com a falta de cuidado que nos permite a posse, quando a manutenção de peças se torna alheia e ninguém após o dado tempo de que já está inerte pela realidade que tanto bateu e rebate. Talvez nem percebeu entre os espaços que ficam, que em algum dado momento algo irá falhar, e nessa falha pode estar a força do coração.

O toque, as palavras, os olhares e a espera, fazem parte do conjunto, assim como a força do abraço. O abraço nada mais é do que a presença real no real de quem acompanha nos dias e as sessões da vida, de quem lembra contigo como o perder dói, como o perder machuca e nos retém como ocupantes de uma fila cheia de expectativas. 

E das complicações desta vida que rotulam adulta, acha- se que ter se identifica apenas pelas poucas letras que as compõe, e te inclui no engano de achar que sempre é ter, e que o cuidado não o cabe.

A escolha sempre pode ser como podemos destacar o que temos, se temos muito ou se temos pouco, as vezes pouco é demasiado importante pra quem espera algo, mesmo que minucioso ou singelo. Mas do que temos, e até onde nos dedicamos para que se renove, se conquiste e seja sempre.

Vendo rumos pelos mapas, por todo um contexto de longas trajetórias do mesmo compasso, me pergunto sempre em meio a histórias que perpassamos, se a espera e o porque dessa espera para o reconhecimento dos significados, e o porque de sempre existem meios termos e o risco ao invés de correr e se entregar ao que se tem, ter é assumir o risco de amar, cuidar, pensar e ter perto e principalmente dentro do coração.

Afinal, o que fica é o somente o que a gente permite ficar.


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