domingo, 20 de julho de 2014

Ponto de descida.



Ao sair de casa eu procuro encontrar-te, e encontrando saberei o que quisera eu de mim mesma, que loucura é sair de casa para se encontrar.
Tento tocar-te de várias formas e ver se tua reação ainda arrepia-me, se teus sonhos me fazem sonhar e navegar nas mais loucas imaginações de um futuro diferente, e ouvindo tua voz aguardo até que possa entender o que provoca em mim.

Nada, e nada é muito quando se precisa de algo, assim como a repetição das mesmas silabas que formam nosso contexto teatral já decorado dessa peça sem encaixe de nós dois. Duas pessoas que andam sem saber ao menos em que parte dessa história há um encontro de toque, que vá além de., das expectativas, dos relances, dos constrangimentos, dos erros e da ida e vinda de sentimento.

Apetece-me ler o capitulo final da história, vou e volto de um lado para o outro a procura da solução, mentira, na verdade entre idas e vindas encostadas na janela do mundo, olho firmemente para o nada, situando aonde estou e o que mudou, nas idas vou em silêncio sem muito barulho, com melodias que mantém meus olhos fixos para o que está acontecendo e enquanto eu olho esquematizo junto com meu mecanismo de defesa toda a racionalização para encontrar sentindo em ir.
O ponto auge e mais importante da trajetória onde tudo se movimenta e por vezes me sinto na estaca zero nessa peça com roteiro pronto, mas sem classificação, as previsões e as criticas generalizam, era esta só mais uma reprise de algo já visto.

 Na volta, a exaustão desse percusso me tira a serenidade, as demasiadas faltas das tão esperadas mudanças, de atitudes, do agir, e do ser me fazem trocar a calmaria por conversas jogadas do futuro e risos dessas infinitas possibilidades que  anseiam serem vividas. Trânsito, uma hora, duas ou mais se algo estiver batido, o tempo de verificar o estado da mente, coração e pausar a canção.

Ainda assim desço no mesmo ponto... caminhando só e a pé, ansiando sempre em mirar para a mesma parada e ela faça algum sentindo me mostrando o porque que sempre caminho tanto até lá mesmo tão cansada disso tudo.


( escrito há muito tempo)


Um comentário:

  1. Para as estradas dos melhores sonhos, não importa como se chega.
    A pé ou de carro, pedalando ou voando.
    O ponto de partida lhe mostrou a importância do ponto de descida.

    Belo texto.

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